segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

“Mais Do Que Máscaras: Quando A Extensão Universitária (PET) Descobre O Coração Da Integração”

 “Mais Do Que Máscaras: Quando A Extensão Universitária (PET) Descobre O Coração Da Integração”


 Há alguns meses, minha companheira Margarita e eu (Nicole) tivemos uma oportunidade nascida do PET (Programa de Educação Tutorial). Para quem não conhece, o PET é uma iniciativa do Ministério da Educação do Brasil que vincula a universidade à comunidade. Por meio de bolsas, incentiva que grupos de estudantes (tutorados) desenvolvam atividades acadêmicas e de extensão, levando o conhecimento para além das salas de aula universitárias e aprendendo com a realidade social. Nossa missão dentro desse quadro era, a princípio, simples e concreta: realizar uma atividade de extensão artística com um grupo de crianças. O plano oficial era uma oficina de máscaras. A ideia era nos aproximar, compartilhar uma experiência criativa e cumprir aquele lindo objetivo do PET de criar pontes. Mas, como costuma acontecer quando o plano encontra a vida real, a atividade nos devolveu muito mais do que levamos. O cenário que encontramos: uma sala de aula vibrante onde conviviam o espanhol, o guarani e o português. Das 15 crianças de 8 e 9 anos, 7 manejavam dois ou três idiomas e 8 falavam principalmente português. Lá estávamos nós, com nossas máscaras e tintas, prontas para conduzir a atividade artística que havíamos planejado. O que aconteceu redefiniu nosso "plano de extensão". Ao dar as instruções em espanhol, Margarita e eu vimos algo que nenhum manual do PET poderia nos ter ensinado melhor. Não houve barreiras, mas pontes instantâneas. As crianças bilíngues se tornaram, sem que ninguém lhes pedisse, nossas colaboradoras naturais. Com uma naturalidade que nos deixou agradavelmente impactadas, traduziam e explicavam aos colegas em português: "Ela disse que temos que pintar primeiro" ou "podem colar assim". A orientação do PET de "extensão" tomou um significado literal. A atividade se estendeu horizontalmente, de criança para criança. A sala de aula se transformou em uma verdadeira oficina colaborativa, onde circulavam não apenas lantejoulas e cola, mas também explicações, ideias e uma dose surpreendente de ânimo e participação. E o idioma… o idioma foi a verdadeira "obra de arte". Embora o português fosse a corrente principal, nas conversas mais íntimas entre amigos paraguaios brotava o espanhol, misturando-se com naturalidade em um mesmo pensamento: "Este papel está legal!". Essa troca de código não era um obstáculo para o PET, era a evidência viva de um diálogo intercultural que já existia e que nossa atividade apenas evidenciou. Nossa reflexão: Fomos como facilitadoras de uma oficina, pensando no produto (as máscaras). Mas o PET, em sua essência, trata do processo de vinculação com a comunidade. E foi exatamente isso que vivemos. Entendemos que nosso papel não era apenas conduzir, mas observar e possibilitar a inteligência social que já fervilhava naquela sala. A "mediação linguística" e a colaboração que testemunhamos foram a melhor demonstração possível dos valores que a extensão universitária busca fomentar: solidariedade, inclusão e construção coletiva do saber. Esta experiência nos reafirmou algo profundo: programas como o PET são vitais, não apenas pelo que levam à comunidade, mas, sobretudo, pelo que recebem dela. Uma oficina artística revelou um modelo vivo de educação inclusiva e bilíngue, construído a partir da empatia das crianças. A diversidade linguística, longe de ser um problema a resolver, mostrou-se como o recurso pedagógico mais rico da sala de aula. 

 Para fechar este relato: podemos dizer que saímos do “núcleo da criança” com as mãos sujas de tinta e um punhado de máscaras coloridas, mas no coração levávamos algo muito mais valioso: uma história viva, que não cabe no formato de um relatório acadêmico, mas que pulsa com força em cada reunião do nosso grupo PET. Ensinou-nos que os verdadeiros objetivos da extensão universitária não se cumprem apenas ao "chegar" a uma comunidade, mas ao abrir os olhos e os ouvidos para receber o que ela tem a nos ensinar. As crianças nos mostraram como a colaboração real se constrói em gestos concretos: compartilhar uma palavra, uma explicação, um material. A oficina de máscaras foi o pretexto; a verdadeira atividade foi observar e registrar essa inteligência coletiva em ação. Vocês já tiveram uma experiência semelhante em atividades de extensão ou voluntariado onde os planos tomaram um rumo inesperado e maravilhoso? 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

RESENHA CRÍTICA – Drug Discovery e Reposicionamento de Fármacos

RESENHA CRÍTICA – Drug Discovery e Reposicionamento de Fármacos 


A problemática atual de descobertas de novos fármacos inclui a descoberta de compostos líderes e a otimização de medicamentos, e esse é um processo longo, caro e de alto risco. Problemas de saúde pública e global, como as doenças como o câncer, diabetes, doença de Alzheimer e doença de Parkinson tornam a descoberta e o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais críticos. A utilização de ferramentas computacionais (in silico) permite uma maior facilidade no processo de Drug Discovery, potencializando os resultados e diminuindo as limitações econômicas no relacionado à busca de soluções de tratamento dessas doenças. Dentre as ferramentas in silico com um alto potencial de impacto no desenvolvimento farmacológico pode-se mencionar o Computer-Aided Drug Design (CADD), o qual permite a transformação do processo de descoberta de fármacos ao acelerar o tempo de descoberta e prever parâmetros importantes, como a barreira hematoencefálica. Ele avalia diferentes propriedades biológicas de um alvo e fornece um novo design de compostos adequados para interagir com esse alvo. Utilizando duas abordagens metodológicas (baseadas em estrutura e em ligantes), o CADD pode mostrar como o composto interage com o alvo ou avaliar as propriedades físico-químicas e atividades de ligantes conhecidos para projetar novos compostos com atividades desejadas. Geralmente, ele usa algoritmos de construção para projetar novos compostos com alta probabilidade de serem ativos, sintetizáveis e sem propriedades indesejáveis (como a presença de valores indesejados na farmacocinética). O CADD pode ser usado antes do HTS (triagem de alto rendimento) para filtrar compostos potencialmente ativos em grandes bibliotecas (triagem virtual), o que reduz o número de compostos a serem sintetizados e testados, diminuindo consideravelmente o tempo de ensaio, a carga de trabalho, a utilização experimental de animais para ensaios in vivo e as despesas. Uma das limitações é que não consegue prever a funcionalidade sistêmica de um complexo biológico já que os sistemas biológicos tem uma infinidade de interações e é muito difícil o controle de todos esses parâmetros. Os avanços tecnológicos recentes no desenvolvimento de metodologias in silico permitem que estratégias como o reposicionamento de fármacos sejam consideradas como mais eficazes e sustentáveis, tornando elas como umas alternativas atraente economicamente em relação à descoberta de novas entidades químicas. O reposicionamento de fármacos visa descobrir novos benefícios terapêuticos de medicamentos existentes, ao vez de procurar agentes terapêuticos totalmente novos que podem ter altos custos ou longos tempos de teste e espera até serem aprovados, neste caso se utilizam medicamentos de baixo risco que já foram aprovados e tem passado por teste clínicos e toxicológicos o que diminui tempo e custos. Os medicamentos podem ser reutilizados em qualquer fase de desenvolvimento. No contexto da utilização de produtos naturais, sintéticos e ferramentas in silico para atingir melhores resultados no Drug discovery, a integração dessas metodologias cria uma estratégia otimizada devido a que os produtos naturais oferecem diversidade e inspiração molecular a partir da capacidade de isolar e purificar princípios ativos para criar bibliotecas de estruturas, usadas como base para compostos sintéticos e semissintéticos. As pequenas moléculas sintéticas, com o auxílio do HTS, permitem a exploração rápida e sistemática de vastos espaços químicos. E os métodos in silico (CADD) funcionam como uma ferramenta de inteligência preditiva, que refina a seleção de candidatos antes mesmo dos testes práticos, economizando recursos e direcionando os esforços para os resultados promissores ou poupando testes desnecessários. Então a combinação permite maximizar as chances de sucesso, minimizando o tempo e o custo associados a um processo longo e caro, ao mesmo tempo em que aborda a complexidade de identificar novos compostos químicos com potencial terapêutico. Falar de ferramentas computacionais atualmente implica falar da inteligencia artificial (IA), a qual demonstra vantagens no processo de análise molécular e farmacológico, sendo vista como uma ferramenta em ascensão. As pesquisas revelam que a aplicação da IA no processo de descoberta de novos fármacos pode acelerá-lo em até 2% e gerar economias anuais de até 28 bilhões de dólares no campo. Dentre os termos muitos relacionados à IA, o Machine Learning (ML) ganhou muita relevância na área nos últimos anos. O uso dos algoritmos de ML consiste no treinamento em grandes conjuntos de dados para aprendizado de regras, análise de novos dados, fazer previsões e decisões. No uso do ML existem três tipos principais: aprendizado supervisionado, no qual consiste em treinamento com dados rotulados; aprendizado não supervisionado, que consistem em reconhecimento de padrões ocultos e agrupamento; e por reforço, uma aprendizagem por interação com o ambiente. Os algoritmos tradicionais de ML são voltados para desempenhar papeis em diversas etapas, como triagem virtual baseada em estrutura de ligantes (um preditor de propriedades farmacológicas que avalia a semelhança do composto com moléculas ativas conhecidas, sendo vital para a estimativa da afinidade de ligação alvo-droga, prever atividades biológicas e propriedades ADMET), previsão de toxicidade, modelagem farmacodinâmica e reposicionamento de drogas. Já o Deep Learning (DL) é como um subconjunto do ML que utiliza redes neurais com estrutura hierárquica, sendo mais adequado para o tratamento com dados massivos e complexos. Algoritmos de DL são usados para a extração de características de dados, podendo gerar novos dados amostrais, incluindo por exemplo novas sequências moleculares, análise de informações baseadas em sequências ou séries temporais, e previsão de estruturas 3D de sequências de aminoácidos. No desenho das drogas (Drug Design) tanto o ML quanto o DL facilitam a compreensão da interação entre dados químicos e sistemas biológicos, esse impulsão que a IA fornece é a facilidade no desenho de novo de novos compostos ativos, na previsão de processos reacionais e na otimização de rotas sintéticas, ou seja, atuando diretamente na automação. Os principais desafios relacionados à confiabilidade e interpretação dos dados gerados pelo uso da IA consistem em cinco pontos principais. O primeiro é relacionado à complexidade biológica e sua relação com o ambiente controlado, visto que é complexa a ação das drogas em organismos vivos. O segundo consiste na qualidade e diversidade de dados, já que a eficácia dos modelos são influenciadas pela base de dados. Outro ponto é a interpretação de “caixas pretas”, ou seja, à falta de transparência em como certos algoritmos de ML chegam às suas previsões e decisões. Ademais, os modelos baseados em IA requerem frequentemente treinamentos extensivos e específicos, e é suscetível a erros de programação. O uso da IA através da integração de algoritmos de ML e DL contribuem de modo significativos para a superação das limitações tradicionais, especialmente no que concerne à eficiência, custo e inovação. A aplicação da IA pode acelerar o processo de desenvolvimento de novos fármacos. No screening de drogas, o virtual screening permite avaliar a triar extensas bibliotecas estruturais, superando a capacidade dos métodos tradicionais que são limitados a dezenas ou centenas de milhares de compostos. Ferramentas baseadas em DL aprimoram a precisão e a velocidade de técnicas, a predição da estrutura de alvos proteicos; no design de fármacos facilita o desenho de novo das moléculas ativas, a otimizar rotas sintéticas e automatizar processos. Essa eficiência aumentada pela IA e sua capacidade de identificar candidatos promissores com maior rapidez tem o potencial de gerar economias substanciais, reduzindo por exemplo custos com a necessidade de testes físicos em larga escala. No que tange à inovação, essas ferramentas possibilitam o desenho de novas moléculas ativas praticamente do zero, explorando um vasto espaço químico. A sugestão geral é que a IA atue, principalmente, como uma ferramenta complementar e de apoio. Os desafios que também surgem com o uso dessa ferramenta, como a complexidade da ação das drogas em organismos vivos, que não é totalmente replicado em simulações, as “caixas pretas”, e a susceptibilidade a erros de programação indicam que precisam de validação em sistemas biológicos e ensaios clínicos, e posicionam a IA mais como um complemento, que potencializa e guia a pesquisa experimental, do que como um substituto. A complexidade de ambientes biológicos relaciona-se com o risco dos modelos de IA, treinados em ambientes controlados, não conseguirem prever com maior precisão o comportamento das drogas nos organismos complexos. Portanto, a comunidade científica precisa enfatizar uma validação experimental rigorosa dos resultados gerados pelas ferramentas de IA, e em ensaios clínicos, sempre integrando o conhecimento biológico e farmacológico humano na interpretação dos resultados da IA. Ademais, os modelos de IA requerem grandes conjuntos de dados de alta qualidade e diversidade para fazerem uma análise eficaz, então uma estratégia de mitigação pode ser a promoção de partilha de dados entre instituições de pesquisa. O desenvolvimento de padrões para a qualidade e diversidade dos dados utilizados nos treinamentos da IA pode ser interessante, e o investimento em curadoria e pessoal especializado para gerenciar e analisar esses dados também são estratégias que podem auxiliar na mitigação de riscos. Sabe-se ainda que alguns modelos de DL são difíceis de interpretar, e investir no desenvolvimento de modelos que permitam que os pesquisadores entendam a lógica por trás das previsões feitas pode fazer a diferença na análises e diminuição dos erros de interpretação. Sendo a IA suscetível a erros de programação, a implementação de processos rigorosos de desenvolvimento de software, testes e validação dos algoritmos de IA podem aumentar a transparência no desenvolvimento desses algoritmos, e ser uma potencial ferramenta estratégica de mitigação. Para a maximização dos benefícios deve-se haver investimento e infraestrutura, colaborações interdisciplinares, integração abrangente de ferramentas, desenvolvimento de ferramentas especializadas e manter a continuidade das pesquisas. O poder computacional, profissionais qualificados, e o fomento para a criação de equipes multidisciplinares que unam cientistas de dados, químicos computacionais, biológicos moleculares, farmacologistas e médicos clínicos têm muito potencial para o avanço da era revolucionária de desenvolvimento de fármacos. 



Referencias ● Berdigaliyev & Aljofan. An overview of drug discovery and development. Future Med. Chem. 2020. DOI: 10.4155/fmc-2019-0307. ● WU et. al. The Role of Artificial Intelligence in Drug Screening, Drug Design, and Clinical Trials. 2024. DOI 10.3389/fphar.2024.1459954.

A problemática atual de descobertas de novos fármacos inclui a descoberta de compostos líderes e a otimização de medicamentos, e esse é um processo longo, caro e de alto risco. Problemas de saúde pública e global, como as doenças como o câncer, diabetes, doença de Alzheimer e doença de Parkinson tornam a descoberta e o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais críticos. A utilização de ferramentas computacionais (in silico) permite uma maior facilidade no processo de Drug Discovery, potencializando os resultados e diminuindo as limitações econômicas no relacionado à busca de soluções de tratamento dessas doenças. Dentre as ferramentas in silico com um alto potencial de impacto no desenvolvimento farmacológico pode-se mencionar o Computer-Aided Drug Design (CADD), o qual permite a transformação do processo de descoberta de fármacos ao acelerar o tempo de descoberta e prever parâmetros importantes, como a barreira hematoencefálica. Ele avalia diferentes propriedades biológicas de um alvo e fornece um novo design de compostos adequados para interagir com esse alvo. Utilizando duas abordagens metodológicas (baseadas em estrutura e em ligantes), o CADD pode mostrar como o composto interage com o alvo ou avaliar as propriedades físico-químicas e atividades de ligantes conhecidos para projetar novos compostos com atividades desejadas. Geralmente, ele usa algoritmos de construção para projetar novos compostos com alta probabilidade de serem ativos, sintetizáveis e sem propriedades indesejáveis (como a presença de valores indesejados na farmacocinética). O CADD pode ser usado antes do HTS (triagem de alto rendimento) para filtrar compostos potencialmente ativos em grandes bibliotecas (triagem virtual), o que reduz o número de compostos a serem sintetizados e testados, diminuindo consideravelmente o tempo de ensaio, a carga de trabalho, a utilização experimental de animais para ensaios in vivo e as despesas. Uma das limitações é que não consegue prever a funcionalidade sistêmica de um complexo biológico já que os sistemas biológicos tem uma infinidade de interações e é muito difícil o controle de todos esses parâmetros. Os avanços tecnológicos recentes no desenvolvimento de metodologias in silico permitem que estratégias como o reposicionamento de fármacos sejam consideradas como mais eficazes e sustentáveis, tornando elas como umas alternativas atraente economicamente em relação à descoberta de novas entidades químicas. O reposicionamento de fármacos visa descobrir novos benefícios terapêuticos de medicamentos existentes, ao vez de procurar agentes terapêuticos totalmente novos que podem ter altos custos ou longos tempos de teste e espera até serem aprovados, neste caso se utilizam medicamentos de baixo risco que já foram aprovados e tem passado por teste clínicos e toxicológicos o que diminui tempo e custos. Os medicamentos podem ser reutilizados em qualquer fase de desenvolvimento. No contexto da utilização de produtos naturais, sintéticos e ferramentas in silico para atingir melhores resultados no Drug discovery, a integração dessas metodologias cria uma estratégia otimizada devido a que os produtos naturais oferecem diversidade e inspiração molecular a partir da capacidade de isolar e purificar princípios ativos para criar bibliotecas de estruturas, usadas como base para compostos sintéticos e semissintéticos. As pequenas moléculas sintéticas, com o auxílio do HTS, permitem a exploração rápida e sistemática de vastos espaços químicos. E os métodos in silico (CADD) funcionam como uma ferramenta de inteligência preditiva, que refina a seleção de candidatos antes mesmo dos testes práticos, economizando recursos e direcionando os esforços para os resultados promissores ou poupando testes desnecessários. Então a combinação permite maximizar as chances de sucesso, minimizando o tempo e o custo associados a um processo longo e caro, ao mesmo tempo em que aborda a complexidade de identificar novos compostos químicos com potencial terapêutico. Falar de ferramentas computacionais atualmente implica falar da inteligencia artificial (IA), a qual demonstra vantagens no processo de análise molécular e farmacológico, sendo vista como uma ferramenta em ascensão. As pesquisas revelam que a aplicação da IA no processo de descoberta de novos fármacos pode acelerá-lo em até 2% e gerar economias anuais de até 28 bilhões de dólares no campo. Dentre os termos muitos relacionados à IA, o Machine Learning (ML) ganhou muita relevância na área nos últimos anos. O uso dos algoritmos de ML consiste no treinamento em grandes conjuntos de dados para aprendizado de regras, análise de novos dados, fazer previsões e decisões. No uso do ML existem três tipos principais: aprendizado supervisionado, no qual consiste em treinamento com dados rotulados; aprendizado não supervisionado, que consistem em reconhecimento de padrões ocultos e agrupamento; e por reforço, uma aprendizagem por interação com o ambiente. Os algoritmos tradicionais de ML são voltados para desempenhar papeis em diversas etapas, como triagem virtual baseada em estrutura de ligantes (um preditor de propriedades farmacológicas que avalia a semelhança do composto com moléculas ativas conhecidas, sendo vital para a estimativa da afinidade de ligação alvo-droga, prever atividades biológicas e propriedades ADMET), previsão de toxicidade, modelagem farmacodinâmica e reposicionamento de drogas. Já o Deep Learning (DL) é como um subconjunto do ML que utiliza redes neurais com estrutura hierárquica, sendo mais adequado para o tratamento com dados massivos e complexos. Algoritmos de DL são usados para a extração de características de dados, podendo gerar novos dados amostrais, incluindo por exemplo novas sequências moleculares, análise de informações baseadas em sequências ou séries temporais, e previsão de estruturas 3D de sequências de aminoácidos. No desenho das drogas (Drug Design) tanto o ML quanto o DL facilitam a compreensão da interação entre dados químicos e sistemas biológicos, esse impulsão que a IA fornece é a facilidade no desenho de novo de novos compostos ativos, na previsão de processos reacionais e na otimização de rotas sintéticas, ou seja, atuando diretamente na automação. Os principais desafios relacionados à confiabilidade e interpretação dos dados gerados pelo uso da IA consistem em cinco pontos principais. O primeiro é relacionado à complexidade biológica e sua relação com o ambiente controlado, visto que é complexa a ação das drogas em organismos vivos. O segundo consiste na qualidade e diversidade de dados, já que a eficácia dos modelos são influenciadas pela base de dados. Outro ponto é a interpretação de “caixas pretas”, ou seja, à falta de transparência em como certos algoritmos de ML chegam às suas previsões e decisões. Ademais, os modelos baseados em IA requerem frequentemente treinamentos extensivos e específicos, e é suscetível a erros de programação. O uso da IA através da integração de algoritmos de ML e DL contribuem de modo significativos para a superação das limitações tradicionais, especialmente no que concerne à eficiência, custo e inovação. A aplicação da IA pode acelerar o processo de desenvolvimento de novos fármacos. No screening de drogas, o virtual screening permite avaliar a triar extensas bibliotecas estruturais, superando a capacidade dos métodos tradicionais que são limitados a dezenas ou centenas de milhares de compostos. Ferramentas baseadas em DL aprimoram a precisão e a velocidade de técnicas, a predição da estrutura de alvos proteicos; no design de fármacos facilita o desenho de novo das moléculas ativas, a otimizar rotas sintéticas e automatizar processos. Essa eficiência aumentada pela IA e sua capacidade de identificar candidatos promissores com maior rapidez tem o potencial de gerar economias substanciais, reduzindo por exemplo custos com a necessidade de testes físicos em larga escala. No que tange à inovação, essas ferramentas possibilitam o desenho de novas moléculas ativas praticamente do zero, explorando um vasto espaço químico. A sugestão geral é que a IA atue, principalmente, como uma ferramenta complementar e de apoio. Os desafios que também surgem com o uso dessa ferramenta, como a complexidade da ação das drogas em organismos vivos, que não é totalmente replicado em simulações, as “caixas pretas”, e a susceptibilidade a erros de programação indicam que precisam de validação em sistemas biológicos e ensaios clínicos, e posicionam a IA mais como um complemento, que potencializa e guia a pesquisa experimental, do que como um substituto. A complexidade de ambientes biológicos relaciona-se com o risco dos modelos de IA, treinados em ambientes controlados, não conseguirem prever com maior precisão o comportamento das drogas nos organismos complexos. Portanto, a comunidade científica precisa enfatizar uma validação experimental rigorosa dos resultados gerados pelas ferramentas de IA, e em ensaios clínicos, sempre integrando o conhecimento biológico e farmacológico humano na interpretação dos resultados da IA. Ademais, os modelos de IA requerem grandes conjuntos de dados de alta qualidade e diversidade para fazerem uma análise eficaz, então uma estratégia de mitigação pode ser a promoção de partilha de dados entre instituições de pesquisa. O desenvolvimento de padrões para a qualidade e diversidade dos dados utilizados nos treinamentos da IA pode ser interessante, e o investimento em curadoria e pessoal especializado para gerenciar e analisar esses dados também são estratégias que podem auxiliar na mitigação de riscos. Sabe-se ainda que alguns modelos de DL são difíceis de interpretar, e investir no desenvolvimento de modelos que permitam que os pesquisadores entendam a lógica por trás das previsões feitas pode fazer a diferença na análises e diminuição dos erros de interpretação. Sendo a IA suscetível a erros de programação, a implementação de processos rigorosos de desenvolvimento de software, testes e validação dos algoritmos de IA podem aumentar a transparência no desenvolvimento desses algoritmos, e ser uma potencial ferramenta estratégica de mitigação. Para a maximização dos benefícios deve-se haver investimento e infraestrutura, colaborações interdisciplinares, integração abrangente de ferramentas, desenvolvimento de ferramentas especializadas e manter a continuidade das pesquisas. O poder computacional, profissionais qualificados, e o fomento para a criação de equipes multidisciplinares que unam cientistas de dados, químicos computacionais, biológicos moleculares, farmacologistas e médicos clínicos têm muito potencial para o avanço da era revolucionária de desenvolvimento de fármacos. 



Referencias ● Berdigaliyev & Aljofan. An overview of drug discovery and development. Future Med. Chem. 2020. DOI: 10.4155/fmc-2019-0307. ● WU et. al. The Role of Artificial Intelligence in Drug Screening, Drug Design, and Clinical Trials. 2024. DOI 10.3389/fphar.2024.1459954.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Reseña del texto “O PATRIMÔNIO CULTURAL E A CONSTRUÇÃO IMAGINÁRIA DO NACIONAL” de Nestor García Canclini.

 


El presente texto ofrece una reflexión profunda y crítica acerca de la evolución del concepto de patrimonio cultural en el contexto contemporáneo, caracterizado por procesos acelerados como la urbanización, la globalización, las migraciones y el avance de las industrias culturales y de las tecnologías de la comunicación. En un escenario donde la cultura se transforma rápidamente, el autor invita a repensar las nociones tradicionales de patrimonio y a incorporar nuevas dimensiones que respondan a los cambios sociales, económicos y tecnológicos de los últimos siglos. Uno de los puntos estratégicos que aborda el texto es la ampliación del concepto de patrimonio cultural. Hasta hace poco, este se centraba principalmente en bienes materiales, como sitios arqueológicos, monumentos, obras de arte y objetos históricos, cuya protección respondía a marcos legales específicos. Sin embargo, el autor señala que en el mundo contemporáneo esta visión resulta insuficiente. La cultura popular, las expresiones inmateriales, las prácticas sociales, las lenguas, la música, las tradiciones orales y los modos de vida se convierten en partes esenciales del patrimonio que necesita ser preservado y valorado. La razón de ello es que estos elementos en constante movimiento y transformación constituyen la identidad de las comunidades y, por tanto, forman parte de un patrimonio dinámico que refleja la pluralidad, multiculturalidad e hibridación de las sociedades actuales. El texto hace especial énfasis en el papel de los medios de comunicación de masas —televisión, radio, cine, videos, discos y, posteriormente, las plataformas digitales— en la documentación, difusión y, en muchos casos, en la transformación del patrimonio cultural. La masificación de los bienes culturales a través de estos medios no solo facilita su acceso a grandes públicos, sino que también genera nuevas formas de apropiación, reinterpretación y socialización de estos bienes, modificando las relaciones tradicionales entre la comunidad y su patrimonio. Por ejemplo, las películas, programas televisivos y videoclips que muestran monumentos o expresiones culturales tradicionales contribuyen a que estos elementos sean reconocidos globalmente y a que se integren en la memoria social compartida, aunque también plantean riesgos al descontextualizarlos o convertirlos en meros símbolos de consumo. Asimismo, el autor resalta los desafíos que surgen de esta interrelación entre patrimonio, medios y comunicación en términos de conservación, ética y derechos. La resemantización de los bienes culturales por parte de las industrias culturales puede producir una apropiación simplificada o una pérdida del sentido original, lo cual requiere una regulación ética y legal cuidadosa. Aquí radica una de las principales tensiones: ¿cómo garantizar que los medios de comunicación y las industrias culturales respeten los derechos de las comunidades originarias, los pueblos indígenas y los grupos populares, sin afectar su libertad de expresión, comunicación y participación? Estas interrogantes muestran la necesidad de establecer marcos jurídicos que regulen la difusión y apropiación del patrimonio cultural en sus diversas formas, promoviendo la protección de los derechos culturales y promoviendo el respeto a las identidades sociales y culturales. El texto también aborda el cambio en la percepción de la identidad nacional en el contexto globalizado. La identidad, tradicionalmente vista desde una perspectiva exclusiva y centrada en los símbolos históricos y territoriales (como las pirámides, los centros históricos, las obras coloniales), ahora debe incluir las expresiones culturales que nacen en las migraciones, las diásporas, las comunidades urbanas y rurales, así como las nuevas manifestaciones culturales generadas por las diálogos interculturales. La migración de campesinos, artistas, trabajadores y estudiantes introduce una variedad de expresiones culturales que enriquecen la cultura nacional, pero también desafían las categorías tradicionales de patrimonio. La circulación de bienes culturales a través de las tecnologías de la comunicación, en particular las plataformas digitales y audiovisual, permiten a estas expresiones trascender las fronteras territoriales, conformando identidades transnacionales e híbridas. Asimismo, el autor enfatiza la importancia de las industrias culturales como agentes que no solo producen y difunden bienes simbólicos, sino que también participan en la construcción de imaginarios sociales y en la formación de identidades colectivas. La cultura de masas, aunque muchas veces criticada por su superficialidad o por su carácter mercantilista, es ineludible en la formación de ciudadanía y en la configuración de imaginarios compartidos. Desde programas de televisión, películas y música, hasta las redes sociales y plataformas de streaming, los medios audiovisuales y culturales construyen narrativas que influyen en la percepción del patrimonio y en la valorización de las diferentes expresiones culturales, muchas veces mediadas por intereses comerciales y políticos que precisan ser gestionados con responsabilidad. El texto también señala que, en la era de las tecnologías digitales y de la información, la preservación del patrimonio necesita adoptar nuevas estrategias. La conservación técnica de bienes materiales sigue siendo importante, pero ahora se complementa con acciones dirigidas a garantizar la circulación digital de archivos, registrar expresiones en formatos accesibles y promover prácticas de participación social en la valoración del patrimonio. Las nuevas tecnologías permiten no solo preservar, sino también difundir con mayor eficiencia y democratización, generando un acceso más amplio y diverso. Sin embargo, esto implica también un reto: la necesidad de desarrollar políticas públicas y marcos regulatorios que protejan estos bienes frente a los riesgos de apropiación indebida, plagio, banalización o pérdida del contexto cultural original. Otra dimensión que destaca el texto es el papel de la participación social en la conservación y valoración del patrimonio. La participación ciudadana, la inclusión de comunidades locales, pueblos indígenas y sectores populares en los procesos de protección y renovación cultural emergen como elementos fundamentales para garantizar que las políticas patrimoniales sean efectivas y legítimas. La protección del patrimonio, por tanto, no solo recae en las instituciones oficiales o en los expertos, sino que debe ser un proceso colectivo, que contemple las múltiples voces y saberes de los actores sociales involucrados. Esto requiere también una sensibilización respecto a los derechos culturales, el acceso a la información, la educación y la formación en conservación y valoración patrimonial. Por último, el autor propone que la protección del patrimonio en la era audiovisual y digital se debe entender como un proceso en constante movimiento, dinámico y adaptable a las nuevas realidades. La conservación de archivos audiovisuales, la digitalización de colecciones, la creación de archivos en línea y la apropiación de las tecnologías por parte de las comunidades son algunas de las líneas estratégicas para garantizar que el patrimonio cultural no solo sea preservado, sino también vivido, reinterpretado y socializado en formas nuevas y creativas. La preservación, en definitiva, no consiste solo en mantener objetos físicos o registros históricos, sino en mantener viva la memoria, las identidades y las formas de expresión que se representan en los diversos soportes y manifestaciones culturales. En conclusión, el texto constituye un llamado a considerar el patrimonio cultural no como un relicario del pasado, sino como un proceso vivo en diálogo constante con las condiciones sociales, políticas y tecnológicas actuales. La incorporación del audiovisual y las tecnologías digitales en la gestión patrimonial requiere una mirada integral que involucre la participación social, la ética, la protección de derechos y la innovación en las políticas públicas. Solo así será posible construir una memoria cultural más democrática, inclusiva y en sintonía con las demandas de las sociedades contemporáneas, que reconocen en su diversidad cultural y en su patrimonio en movimiento, su mayor riqueza y desafío.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

A questão indígena no Serviço Social: um debate necessário na profissão

 A questão Social Indígena no Brasil, traz consigo um debate de reflexão sobre os desafios da invisibilidade da questão social no âmbito da profissão do Serviço Social no Brasil. O Serviço Social brasileiro apresenta avanços na construção de um ético político profissional pautada na defesa das classes historicamente subalternizadas, bem como no empenho pela eliminação de todas formas de opressão, exploração e preconceito. Tal projeto profissional tornou-se constitutivo em dimensões teórico-metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas fundamentais para a compreensão das expressões da “questão social” (NETTO, 2011). 


O que denominamos nesse texto como questão indígena se revela intimamente articulado e dimensionado à questão étnico-racial, tendo em vista estarem conectados à ofensivas colonialistas e capitalistas semelhantes. A expressão “étnico” da questão étnico-racial revela as atrocidades, etnocídios e desumanidades cometidas pelo modo de produção capitalista em seu processo de expansão e consolidação, impactando povos indígenas inteiros e, portanto, assim como as populações africanas afetadas pela diáspora e pela escravidão colonialista. Assim como a primeira, a questão indígena também encontra-se profundamente vinculada à questão social. 


Desta forma, a questão indígena, componente explícita da questão étnico-racial, além de, per si, denunciar os processos etnocidas marcados pelas violências, epidemias, escravidão, mortes, torturas, omissões, invisibilidades, preconceitos e expropriação territorial vivenciados pelos povos indígenas há mais de 520 anos de contato (historicamente conectado aos processos de escravidão negra no país), revela ainda as diferentes estratégias de luta e de resistência destas populações (PACHECO DE OLIVEIRA; FREIRE, 2006; LUCIANO, 2006). 


Tais memórias, lutas e resistências históricas se manifestam pela presença e intensa atuação dos movimentos e organizações indígenas no Brasil e na América Latina, tendo avançado, sobremaneira, desde a década de 1970, alcançando conquistas constitucionais importantes, ainda que muitas delas ainda não efetivadas. Tais resistências históricas se evidenciam, ainda e teimosamente, no campo da produção do conhecimento em distintas áreas e em diferentes categorias profissionais, sendo o Serviço Social um espaço potencial e profícuo nessa temática, haja vista sua configuração ético-política. 


Essa produção científica e acadêmica tem se apresentado num contexto recente não somente pela autoria de pesquisadores não indígenas, mas, fundamentalmente, por intelectuais e pesquisadores indígenas de distintos pertencimentos étnicos. É nessa perspectiva que a inclusão da temática indígena no Serviço Social brasileiro se apresenta – profunda e historicamente associada aos processos originais de exploração, espoliação e etnocídio colonial presentes desde os primeiros contatos entre os povos originários habitantes desse território com os arautos da expansão constitutiva do modo de produção capitalista, do século XVI até a contemporaneidade. 


A questão indígena constitutiva à questão social brasileira A questão indígena brasileira se apresenta em diferentes contextos históricos - Período Colonial, sempre mediadas pela expropriação, usurpação e agropecuária. Destaca-se ainda, no Período Colonial, a existência da escravidão indígena, que caracterizou a caça e o aprisionamento de milhares de pessoas indígenas e seu envio para o trabalho escravo em fazendas. Constitui-se, desta forma, a genérica, simbólica e perversa expressão do “índio brasileiro”, representado pelas manifestações artísticas europeias e pela nascente literatura brasileira. 


Os povos indígenas no Brasil, comum e vulgarmente chamados de “índios”, são historicamente marcados por estereótipos, percebidos ora como “um ser sem civilização, sem cultura, incapaz, selvagem, preguiçoso, traiçoeiro, etc.”, ora como “um ser romântico, protetor das florestas, símbolo da pureza, quase um ser como o das lendas e dos romances” Os povos indígenas na atualidade estão submetidos a precárias condições de vida, tendo como principal causa a não demarcação de seus territórios e a omissão do Estado brasileiro em garantir infraestrutura e políticas sociais necessárias diante da ofensiva do agronegócio. 


A Constituição Federal de 1988 preconiza, em seus artigos 231 e 232, o direito às especificidades culturais indígenas, tais direitos vêm se construindo como bandeiras de lutas diversas organização e movimento indígenas no Brasil, como por exemplo a ATL (acampamento Terra Livre) que hoje se completa 20 anos de lutas pelos direitos constitucionais como a Educação indígena e Saúde Indígena. Os direitos sociais estão, portanto, em uma arena de constante disputa, enfrentando dilemas para sua efetivação enquanto conquista social. 


No que tange à questão étnico-racial, nela contida a questão indígena, e ao currículo para os cursos de Serviço Social, entendemos que o debate étnico-racial se constitui como um elemento estruturante das relações sociais, sendo imprescindível que as propostas curriculares das unidades de ensino de Serviço Social incorporem conteúdos afeitos a esta temática de maneira transversal, buscando superar a secundarização e a invisibilidade deste debate na formação e na atuação profissional. O objetivo era subsidiar a inclusão e o fortalecimento do debate da questão étnico-racial, buscando contribuir para uma formação em Serviço Social antirracista a partir do desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão. 



Neste sentido, apontamos a necessidade de maior reconhecimento e aprofundamento da questão indígena pelo Serviço Social, evidenciando e fortalecendo o compromisso ético-político da categoria profissional junto às classes historicamente subalternizadas, e assim marcar o reconhecimento dos assistentes sociais indígenas na profissão.



quinta-feira, 5 de junho de 2025

Reseña de Fresa y Chocolate como ejemplo de filme que trata las tensiones de lo popular

En el panorama cinematográfico latinoamericano, “Fresa y Chocolate” emerge como una película capaz de capturar la complejidad de la sociedad cubana en un momento de transición. Dirigida por Tomás Gutiérrez Alea y Juan Carlos Tabío, esta se convirtió en un ícono cultural, no solo por su valiente exploración de temas como la sexualidad, la política y la identidad, sino también por su capacidad para entrelazar estos elementos en una narrativa emotiva y profundamente humana. 

La trama del filme se desarrolla en la Cuba de la década de 1970, un periodo caracterizado por un contexto político y social particularmente complejo. Políticamente el país estaba bajo el gobierno revolucionario liderado por Fidel Castro, quien había llegado al poder en 1959 y se encontraba en un periodo de acercamiento a la Unión Soviética, lo que le llevó a formar parte del bloque comunista en medio de la Guerra Fría. Este alineamiento político tuvo implicaciones significativas tanto a nivel nacional como internacional, y moldeó las políticas internas para la sociedad cubana. En el ámbito social se enfrentaban desafíos importantes. A pesar de los esfuerzos por construir una sociedad más igualitaria y justa, existían tensiones y conflictos relacionados con la discriminación, la sexualidad y la libertad de expresión. 

Según Gonzalo Aguilar en su texto “El pueblo como lo real” desde los inicios de su historia, el cine ha estado intrínsecamente ligado a la relación con las masas y el pueblo. Sin embargo en el cine latinoamericano hubo un auge que fue radicalmente diferente a todo lo que se había visto anteriormente. Más que dirigirse al corazón o la inteligencia del espectador, apuntaba a mover su voluntad, especialmente su voluntad política para transformar la realidad. Este tipo de cine no se conformaba con la mera representación; en lugar de ello, buscaba activamente involucrar al pueblo como un agente de cambio. El pueblo no era sólo el destinatario del filme, sino un actor activo que intervenía en todos sus aspectos. En este filme podemos ver cómo la obra desafía las convenciones tradicionales del cine y aborda de manera directa temas políticos y sociales. A través de la relación entre Diego, el artista homosexual, y David, el militante comunista, la película no solo retrata la realidad cubana de la época, sino que también invita al espectador a reflexionar y actuar frente a la discriminación y la opresión. En lugar de limitarse a representar la realidad, “Fresa y Chocolate” busca activamente lograr la involucración del que la ve en un diálogo sobre la identidad, la amistad y la lucha por la libertad en un contexto político y social complejo. De esta manera, la película se alinea con la idea del cine como una herramienta para la acción y la transformación, más que simplemente como un medio de representación pasivo. 

Ambientada durante el “quinquenio gris”, un periodo de rigidez en las expresiones culturales en Cuba, se enfrentan las persecuciones y purgas que marcaban a la minoría homosexual. A través del personaje de Diego se critica el trato injusto a las personas pensantes y con ideas propias, sugiriendo paralelismos con la situación de Cuba en el mundo. Diego, como símbolo de la situación injusta de Cuba, representa la patria con su valor patriótico y su extensa cultura. A través del personaje de David se representa un por ciento de la sociedad adoctrinada a las ideas del gobierno revolucionario, representando la falta de conocimiento cultural, la inocencia, la poca información sobre el contexto internacional, la conformidad con los valores rígidos de la revolución y el silencio de gran parte del pueblo cubano de la época. 

La película rinde homenaje a la cubanía, rescatando nombres olvidados de la literatura cubana como José Lezama Lima y valorando la música y la belleza de la ciudad de La Habana. El filme de Gutiérrez Alea y Tabío busca integrar la identidad nacional cubana, trasladando los monólogos y el discurso textual del cuento en el cual está inspirado, “El lobo, el hombre y el bosque”, escrito por Senel Paz, a diálogos y a una puesta en escena intimista. Se destacan aspectos culturales que reflejan el nacionalismo cubano, la expresión musical adquiere un valor exclusivo que emociona al espectador, mientras que La Habana se convierte en un escenario central que resalta la dimensión emotiva de la historia Durante todo el filme se van planteando preguntas sobre la vida bajo un régimen opresor, invitando al espectador a reflexionar sobre cánones establecidos en la época. Se discuten temas tabúes como la religión, la prostitución, las relaciones con el exterior específicamente con Estados Unidos. Inclusive podemos decir que el filme en su conjunto surge como una adaptación híbrida y periférica que trasciende las fronteras nacionales y se convierte en un espejo de la situación de muchas dictaduras latinoamericanas. 

Podemos concluir que “Fresa y Chocolate” no solo presenta una historia de amistad entre dos personajes aparentemente opuestos, sino que también sirve como un relato de aprendizaje y transformación. El proceso de evolución del protagonista David, desde un pensamiento dogmático hacia una visión más matizada y tolerante, refleja un viaje iniciático que lo lleva a cuestionar sus creencias y a abrirse a nuevas perspectivas. La película, en su estructura demostrativa y didáctica, muestra cómo cada encuentro y experiencia de David con Diego contribuye a su crecimiento personal y a su comprensión de la realidad cubana. A medida que se desarrolla la trama, David descubre la marginalidad de Diego, quien se convierte en un símbolo del exilio interior, tanto por su homosexualidad como por su crítica a la Revolución. La relación entre ambos personajes se transforma en un proceso de iniciación, donde Diego actúa como guía que abre los ojos de David a una nueva forma de entender el mundo. 

En última instancia, “Fresa y Chocolate” actualiza el modelo estructural de los cuentos de hadas, donde el viaje del héroe implica no solo enfrentarse a desafíos externos, sino también a conflictos internos y a la búsqueda de la verdad. La película ofrece una mirada íntima y conmovedora a la complejidad de la identidad cubana y al proceso de crecimiento individual en un contexto político y social tumultuoso. “Fresa y Chocolate” es mucho más que una simple alegoría nacional; es una reflexión profunda sobre la identidad, la amistad y la libertad en un contexto político y social complejo. Su capacidad para emocionar y provocar la reflexión del espectador lo convierte en un clásico del cine latinoamericano que sigue resonando en la actualidad. 


REFERÊNCIAS 


AGUILAR GONZALO. Más allá del pueblo: imágenes, indicios y políticas del cine. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2015. 358 p. 


THIBAUDEAU, Pascale. Del chocolate a la fresa, del exilio interior a la expatriación: las etapas de un doble recorrido iniciático en Fresa y chocolate de Tomas Gutiérrez Alea y Juan Carlos Tabío. Amérique Latine Histoire et Mémoire. Les Cahiers ALHIM, [S. l.], n. 23, p. 10, 06 sep. 2012. 


RESTOM, M. Los intertextos narrativos de "El lobo, el bosque y el hombre nuevo" y Fresa y chocolate. Folios, [S. l.], n. 23, p. 61–69, 2006


quarta-feira, 7 de maio de 2025

Modernismo e Vanguardas no México


Como foi desenvolvido o Modernismo e as vanguardas no caso mexicano?

É importante saber quando pensamos no modernismo na América latina, pois é necessário dimensionar o significado e a importância dos diversos fenômenos artísticos e culturais que ocorreram no continente, naqueles períodos. O modernismo mexicano foi um movimento artístico que floresceu no México no início da década de 1920, após a Revolução Mexicana (1910-1920). O movimento moderno esteve centrado na reforma agrária e na garantia de direitos humanos fundamentais de todos os mexicanos. Essa nova tendência artística atende ao desejo de refletir genuinamente a cultura e o patrimônio mexicano. O grande movimento do modernismo mexicano é o muralismo (Pinturas murais), que retrataram as tradições do povo mexicano, eles eram de grande escala e altamente figurativos. O muralismo se tornou a base para muitas outras tendências artísticas que definiram a arte moderna no México.

O modernismo mexicano afetou o campo da pintura, da literatura, da arquitetura, da música. Os três artistas mais influentes do muralismo na pintura são: Diego Rivera, José Clemente Orozco, David Álvaro Siqueiros. Na literatura temos, Manuel Gutierrez Najera, poeta, escritor e cirurgião, Salvador Diaz Miron, Amado Nervo. Em outros países o modernismo arquitetônico tinha outros nomes como: art nouveau, estilo moderno, mas, no México havia duas vertentes diferentes: o organicista e o geométrico. Na música começaram a introduzir os seus próprios estilos nacionalistas, misturando-os com a herança cultural do país, por exemplo, combinações politonais e neo-modais com instrumentos tradicionais. Julían Carillo Trujillo, a figura de proa dessa tendência foi o maestro e compositor, pioneiro do microtonalismo.


Vanguardas mexicanas

O Estridentismo é um movimento artístico mexicano de vanguarda interdisciplinar formado por poetas, escritores, músicos e pintores, fundado na Cidade do México pelo poeta Manuel Maples Arce em 31 de dezembro de 1921 em Xalapa, com o lançamento do manifesto Atual nº1 do poeta Manuel Arco Maples. O estridentismo sacudiu a literatura, pintura, fotografia e a arquitetura na época.

 

A grande Frida KHALO

Madalena Carmen Frida Kahlo Calderón mais conhecida como Frida Kahlo, nasceu no dia 06 de Julho 1907, em Coyoacán, cidade de México.  Foi uma pintora conhecida pelos seus retratos, autorretratos. Filha de Guillermo Kahlo fotógrafo alemão e da Matilde Calderón, originária d’Oaxaca. Exposta a duas técnicas singulares durante sua infância, ela simboliza a união das culturas tradicionais de seus pais. Ela teve poliomielite quando criança, sofreu um acidente de ônibus aos 18 anos. Mais tarde, ela conheceu o muralista Diego Rivera, o casal se casou em 1929, foi um casamento tumultuado, ela engravidou e teve 3 abortos, pois o acidente que sofreu comprometeu seu útero, deixando graves seqüelas, que a impossibilitaram de levar uma gestação até o final. Frida tentou o suicídio diversas vezes com facas e martelos, no dia 13 de Julho 1954, em Coyoacán, Frida foi encontrada morta de embolia pulmonar.

 

Obras de Frida Kahlo

Mesmo com uma vida marcada pela dor, sofrimento e depressão, Frida é considerada como um ícone, um símbolo do feminismo e uma representante do surrealismo, como o André Breton qualificou a obra dela. O museu Frida Kahlo ou Casa Azul foi onde ela nasceu, viveu e morreu, em 1958 sua casa foi transformada em um museu, um dos mais populares da capital mexicana. Suas obras principais foram:

1- O ônibus (1926)

2- Frida e a cesárea (1931)

3- As duas Fridas (1939)

4- Diego em meu pensamento (1943)

5- Coluna partida (1944)

6- Viva La vida(1954)

O modernismo e as vanguardas no México foram movimentos fundamentais para valorizar a cultura e o povo mexicano, surgindo com força após a Revolução Mexicana. O muralismo se destacou como principal forma de expressão artística, trazendo para os muros as tradições, lutas e identidade do país, com artistas como Diego Rivera, Orozco e Siqueiros. Ao mesmo tempo, o Estridentismo inovou ao misturar diversas linguagens artísticas. Frida Kahlo, com sua arte marcada pela dor e pela força feminina, se tornou um ícone do surrealismo e da resistência cultural. Dessa forma, o modernismo mexicano uniu arte e história, mostrando ao mundo a riqueza e a originalidade do México.

terça-feira, 29 de abril de 2025

"Memorias del Saqueo": el costo oculto del alineamiento internacional.

Laura Luján Ramírez Cabral


Memorias del Saqueo (2004), el documental dirigido por Fernando “Pino” Solanas, constituye una poderosa denuncia audiovisual sobre las consecuencias del modelo neoliberal adoptado en Argentina durante la década de 1990. Pero su relevancia va más allá del testimonio inmediato: invita a reflexionar sobre cómo las estrategias de inserción internacional, justificadas en términos de pragmatismo geopolítico, pueden generar profundas fracturas sociales internas. 

A través de imágenes impactantes de pobreza extrema, corrupción estructural y desesperanza colectiva, Solanas nos enfrenta a las heridas abiertas de un país que apostó por el realineamiento global, bajo el marco conceptual del Realismo Periférico formulado por Carlos Escudé. Realismo Periférico: entre la necesidad y el costo El Realismo Periférico plantea que los Estados “débiles”, conscientes de sus limitaciones estructurales, deben asumir su lugar subordinado en el sistema internacional. Frente a un escenario global dominado por grandes potencias, confrontar puede resultar suicida; en cambio, la alineación estratégica permite maximizar beneficios y minimizar daños. Desde esta perspectiva, la política exterior de Argentina durante el gobierno de Carlos Menem (1989–1999) se reconfiguró radicalmente: 

● Adhesión al Consenso de Washington, impulsando privatizaciones masivas, apertura comercial y desregulación económica. 

● Renuncia a proyectos estratégicos como el Cóndor II y limitación del programa nuclear nacional, abandonando aspiraciones de autonomía tecnológica. 

● Participación militar en operaciones lideradas por Estados Unidos, como la Guerra del Golfo, consolidando una inédita alianza con Washington. 

Estas decisiones respondieron a un cálculo realista: estabilizar la economía nacional, acceder a financiamiento internacional, y reposicionar a Argentina como un actor confiable en el nuevo orden global posterior a la Guerra Fría. La frase de Tucídides, rescatada por Escudé, resume esta lógica brutal: “Los fuertes hacen lo que pueden; los débiles sufren lo que deben.” El lado invisible: las heridas sociales Sin embargo, como expone magistralmente Memorias del Saqueo, este alineamiento estratégico tuvo consecuencias devastadoras en el tejido social argentino. 

Las privatizaciones, justificadas como herramientas de eficiencia económica, despojaron al Estado de su capacidad de garantizar servicios públicos esenciales. El agua potable, la electricidad y el transporte se transformaron en bienes inaccesibles para sectores cada vez más amplios de la población. La apertura irrestricta de mercados condujo a una rápida desindustrialización, dejando a miles de trabajadores en el desempleo. El Estado, lejos de actuar como regulador, se convirtió en facilitador de negocios que favorecieron a grandes empresas extranjeras y a redes de corrupción locales. Solanas registra en su documental escenas que muestran no solo la miseria material, sino también la pérdida de dignidad, la fragmentación comunitaria y el crecimiento de la desesperanza. 

La “modernización” prometida terminó percibiéndose como una traición histórica hacia las clases populares. Entre la geopolítica y la justicia social El contraste entre la teoría del Realismo Periférico y el relato visual de Solanas revela una tensión de fondo: ¿es posible construir un proyecto de inserción internacional sin abandonar la justicia social interna? La experiencia argentina de los años noventa parece sugerir que, aunque el pragmatismo geopolítico puede ofrecer ventajas momentáneas, si no se acompaña de políticas de contención social y fortalecimiento institucional, el precio puede ser demasiado alto. 

El éxito diplomático y financiero fue, en muchos casos, inversamente proporcional a la estabilidad y al bienestar de la sociedad. Memorias del Saqueo no niega la necesidad de considerar el contexto internacional, pero interpela sobre el modelo de desarrollo elegido y sobre quiénes son finalmente sus beneficiarios. En este sentido, la obra de Solanas se transforma en un llamado urgente a repensar la relación entre inserción externa y cohesión interna. Reflexiones finales: aprender de las heridas La historia reciente de Argentina, narrada con crudeza en Memorias del Saqueo, invita a una reflexión que sigue siendo vigente: ¿cómo equilibrar el realismo estratégico con el respeto a los derechos sociales básicos?  El alineamiento puede ser una necesidad en un mundo de asimetrías, pero sin un proyecto interno inclusivo, las promesas de integración global se convierten en espejismos que solo benefician a unos pocos. La memoria de las heridas del saqueo social sigue siendo, hoy más que nunca, una advertencia. 

En definitiva, la política exterior de Menem constituyó una apuesta por la integración global bajo una lógica de adaptación y alineamiento, que si bien permitió la reinserción del país en la comunidad internacional tras años de aislamiento, también expuso sus limitaciones estructurales, la experiencia menemista evidencia los desafíos que enfrentan los países de la periferia en la construcción de una estrategia diplomática que equilibre pragmatismo y autonomía, cooperación e intereses nacionales, inserción global y desarrollo sustentable. 




“Mais Do Que Máscaras: Quando A Extensão Universitária (PET) Descobre O Coração Da Integração”

 “Mais Do Que Máscaras: Quando A Extensão Universitária (PET) Descobre O Coração Da Integração”  Há alguns meses, minha companheira Margari...